O impacto da crise econômica na web

março 10, 2009 por Hugo Rosso
A algumas semanas atrás, o amigo e estudante de jornalismo pela faculdade Cásper Líbero, Pedro Zambarda de Araújo, me procurou para realizar uma entrevista sobre o impacto da crise econômica na web. Pedro, com seu já habitual profissionalismo, conduziu a entrevista com maestria e acredito que ele tenha potencial para se tornar um dos grandes jornalistas das próximas décadas. E é essa entrevista, um “bate-bola” rápido e dinâmico, que abre espaço para o artigo desta semana. Ah, sim. Quem quiser conferir a entrevista, basta acessar o site aqui.

Já é de conhecimento público e notório que vivemos meio a uma das maiores crises econômicas que o mundo já viu. Bancos e empresas quebrarem, bolsas despencarem, taxa básica de juros negativa (com exceção do Brasil, claro), pacotes de ajuda dos governos, nacionalização de bancos, demissões, recessão e corte de custos já viraram palavras comuns ao nosso cotidiano. Depois de tantas previsões e, posteriormente, correções das previsões, concluo que os especialistas não sabem ao certo em qual momento da crise estamos. E para aqueles que não tiveram a oportunidade de ver, lhes informo: semana passada o presidente do BNDES divulgou uma nota em que dizia que os efeitos da crise (ou talvez a própria crise) se estenderão além de 2010. Ou seja, até qual ponto os barcos ainda podem afundar?

A bolha estourou.

Sim, podemos considerar que a bolha da economia global estourou. Vamos agradecer ao bancos que emprestaram dinheiro sem garantias de recebimento, as empresas que não souberam trabalhar seus investimentos e que mascararam seus balanços e a todos aqueles que decidiram brincar de cassino nas Bolsas de Valores.

Está bem, por hora não vou me aprofundar em conceitos de macro economia e analisar todo o cenário global. Vamos nos manter a uma fatia específica do mercado, a web.

A web também já teve a sua bolha.

Talvez alguns de vocês ainda se lembrem, até 2001 viveu-se a chamada Bolha da Internet. Empresas e pessoas investiram milhões na web. Passado algum tempo (em 2001 mesmo), a bolha estourou. Os reflexos do estouro da bolha foram os mesmo que citei no começo deste artigo, porém, num ambiente mais fechado. Desde então a web desenvolveu modos de dimensionar seus investimentos de formas mais seguras e concretas, empresas e profissionais mais “pé no chão” evitam um novo crash do mercado digital. Mas ainda há que diga que os reflexos da bolha ainda estão aí…

Agora, apesar de todo o impacto global da crise, a web tem se mostrado um mercado sólido e de vasta amplitude. Os investimentos não cessaram e muitas empresas acreditam na web como caminho para superar as adversidades de um mercado instável. Como exemplo, podemos analisar as vendas de natal nos EUA, onde apesar da queda das vendas nas lojas, as vendas aumentaram pela internet, uma vez que era mais barato pesquisar e comprar online, do que sair de casa e ir até alguma loja ou shopping center.

Conceitos que já havia falado aqui anteriormente, como mensurabilidade, análise comportamental, cruzamento de dados e perfis, tem se tornado cada vez mais importantes. Eles tem tornado a web mais inteligente e cada vez mais interessante para as empresas. Seria loucura falar que a internet poderá salvar a economia, mas ela poderá ajudar, e muito.

Infelizmente, a web ainda é restritiva (principalmente no países do 3º mundo) e a crise atinge à todas as classes das sociedades, em todos os lugares do mundo. Então colocar uma responsabilidade desta magnitude nas costas da internet, seria ignorar uma parte da população, algo que não seria justo, muito menos, ético.

Daqui, lhes deixo uma frase que poderá resumir o que a web pode proporcionar às empresas:

“O que o cliente desejar, quanto ele quiser e onde ele estiver.”

[Quase] Tudo sobre o Google: as coisas que você queria saber, mas não sabia onde encontrar

fevereiro 14, 2009 por Hugo Rosso

Bom, não sei qual é a relação de cada um de vocês com o Google , mas há quem diga que sou um fanboy da empresa dos senhores Larry Page e Sergey Brin. Pois bem, não sou um fanboy (ao menos não me considero um), mas sou um usuário ativo de vários de seus serviços e, como profissional de internet, me sinto na obrigação de buscar e ler/ouvir/assistir todo e qualquer material que envolva o maior buscador do mundo.

img_01Sergey Brin(e) e Larry Page(d): criadores de um império de U$ 96 bilhões e mais de 20 mil funcionários.

Mas, o que é o Google?

[curiosidade: o nome do Google é uma variação da palavra gugol, um termo matemático para o número 1 seguido de 100 zeros. Larry Page e Sergey Brin acharam que o nome ajudaria a ilustrar a missão monumental do Google: organizar bilhões de bytes de informação encontrados na web. (fonte: HowStuffWorks)]

Falando em dados mensuráveis, o Google é um empresa de tecnologia com 10 anos de idade (a Microsoft e Apple tem 33, a IBM tem 113), mais de 20 mil funcionários em 50 escritórios espalhados em 20 países. É a página mais visitada da internet, com mais de 45 bilhões de buscas por mês em mais de 40 bilhões de páginas indexadas e possui, aproximadamente, 100 produtos (entre ativos e inativos). Tudo isso gerou um lucro líquido de U$ 17,6 bilhões entre o 4° trimestre de 2007 e o 3° trimestre de 2008. Pois é, se você pensou que o Google se resumia ao mecanismo de busca, gMail, Orkut e YouTube, você se enganou.

 

Vídeo produzido pela equipe Google do Reino Unido, mostrando um pouco desses 10 anos.

Mais! Confira as páginas iniciais do Google desde o seu lançamento: http://www.youtube.com/watch?v=1vgprty39og

Como funciona o sistema de buscas do Google?

O buscador do Google é baseado num complexo sistema formado por servidores, crawlers e por um poderoso algoritmo, que calcula o pagerank de cada página indexada, além de todo um sistema de armazenamento de dados, links e gestão de energia.

A indexação das páginas é dada pelos crawlers (também chamados de spyders), eles vasculham a internet a procura de atualizações e de novas páginas. Se estima que os crawlers do Google demorem aproximadamente 2 semanas para indexar todo o conteúúo da internet, todo esse conteúdo é mapeado, rankeado e “armazenado” no sistema de servidores do Google, onde todo um sistema otimiza a exibição dos resultados quando algum usuário faz uma busca.

img_o21Os servidores do Google em 1998: equipamentos doados pela Intel, IBM e Sun.

E como é definida a posição dos resultados de busca?

Os sistemas do Google definem diversos fatores que interferem na ordenação dos resultados de busca, entre eles podemos citar:

. A freqüência da exibição de uma palavra-chave dentro da página: poucas exibições definem que a relevância é menor.

. Tempo que a página está no ar: o Google mantém um histórico das páginas indexadas, portanto se a página for mais antiga e já possuir históricos positivos de acesso, seu ranking é melhorado.

. Total de links para a página: quanto mais links na internet apontando para a página, maior a importância dela.

img_03Google data center no Oregon (EUA): um dos inúmeros espalhados pelo mundo.

E os outros serviços e produtos, o que são?

Os demais serviços e produtos Google possuem diferentes vertentes e objetivos. De modo geral podemos segmentar esses serviços e produtos nas seguintes categorias:

. Publicidade

. Comunicação

. Software

. Plataformas

. Ferramentas de desenvolvimento

. Publicação

img_04Lista de produtos no site: uma pequena parte dos mais de 100 produtos e serviços existentes.

E com tantos serviços gratuitos, quem paga a conta?

A publicidade paga. Sim, a plataforma Google AdWords (plataforma online de publicidade relacionada aos termos buscados pelos usuários e/ou conteúdo das páginas da rede de conteúdo) corresponde a mais de 90% do faturamento total do Google. O restante é pago com a utilização de alguns poucos serviços específicos, como Maps, Earth, Search (hardware para sites de grande volume), armazenamento adicional no gMail e Picasa e alguns outros serviços.

A importância do AdWords é tão grande, que o Google está sempre desenvolvendo aplicações secundárias e material educativo sobre a plataforma. Um exemplo disso são os tutoriais animados desenvolvidos em parceria com a agência SeePix, onde existe um verdadeiro passo-a-passo do “porque” e do “como” usar o AdWords. Além disso ainda existe o Google Advertising Professionals, uma certificação válida por 2 anos para profissionais que desejam se especializar na ferramenta.

Final de ano, festas e presentes: as vantagens da compra online

dezembro 19, 2008 por Hugo Rosso
Final de ano. Trânsito horrível (principalmente para quem, assim como eu, mora em São Paulo), mercado lotado e caro, programação de férias, balanço da empresa e festas sociais. Como se tudo isso não fosse o bastante, ainda temos que enfretar shoppings centers e lojas lotadas, encarar vendedores por vez mal-humorados (e realmente cansados!) e toda o “espírito natalino” das pessoas, para que possamos presentear a família e, em alguns casos, os amigos mais próximos (sem contar os tão famosos e tradicionais amigos secreto em família e no trabalho). Em meio um período tão tumultuado, é necessário destacar que a opção de comprar online é uma enorme vantagem (seja por tempo, custo ou pela simples comodidade de não ter que sair de casa).
Dentre as vantagens da compra online, podemos destacar:
1. Pesquisa de preços e condições de pagamento: além de ser extremamente simples migrar de um site para outro, os comparadores de preço (como os sites BuscapéBondfaro, além dos que shoppings de portais, como IgShoppingTerra Shopping e Shopping UOL) facilitam e ajudam muito a encontrar o produto desejado e a descobrir qual a melhor oferta, além de alguns pontuarem as lojas, a fim dos usuário identificarem as lojas melhor conceituadas.

2. Concorrência: os concorrentes estão a um clique de distância. Será que vale à pena arriscar?

Tendo essa premissa, os sites sempre estarão competindo, tentando propor ofertas mais atrativas para seus clientes.

3. Comodidade de recebimento e compra segura: comprar online é rápido, prático, seguro e eficiente e muitas pessaos já perceberam isso. Não é à toa que o e-Commerce vem crescendo nos últimos ano e mesmo no período de crise que nos encontramos, ele é um dos poucos canais de venda que mantém a perspectiva de crescimento para os próximos trimestres.

E como nem tudo na vida é um “mar de rosas”, a compra online possui suas desvantagens também, dentre elas, podemos citar:
1. A inexistência do poder de barganha: numa loja virtual, você nunca conseguirá negociar o valor ou a forma de pagamento da sua compra, como os sistemas são “engessados”, os clientes ficam limitados as ofertas existentes.

2. Nem sempre sabemos como de fato é o produto: ao comprar online, mesmo com a existência de fotos e formatos/medidas do produto, muitas vezes podemos nos encarar com algo diferente do imaginado quando o produto for entregue. Portanto, em caso de dúvidas, vá numa loja física para conhecer o produto e depois efetue a compra por um site.

Num panorama geral, essas são as vantagens e desvantagens da compra online, sendo que acredito que o crescimento deste meio será cada vez maior, passo que o acesso a internet e a tecnologia está cada vez mais simples e barato.

SEO e SEM (muito mais que uma sopa de letrinhas)

dezembro 12, 2008 por Hugo Rosso

Quem nunca desejou que o seu site fosse o primeiro resultado no Google ou no yahoo! quando buscado algum termo relavante ao seu serviço, empresa ou produto?! As práticas de SEO (Search Engine Optimization) e SEM (Search Engine Marketing) estão aí justamente para isso, para ajudar o seu site a obter um melhor posicionamento na busca orgânica e na busca paga.

Busca orgânica e busca paga, qual a diferença?

A busca orgânica é quando a posição do site no resultado de busca é dado pelo próprio mecanismo de busca. Esse posicionamento é determinado por diversos fatores, dentre os quais podemos destacar:

1. Relevância entre o termo buscado e o conteúdo do site.
2. Qualidade do código das páginas (código limpos e validados pela W3C tendem a otimizar o posicionamento do site na busca).
3. Utilização de “meta-tags“.
4. Histórico entre usuários direcionados para a página e o tempo de permanência no site (com essa informação o mecanismo consegue determinar se o conteúdo da página realmente é relevante para aquele termo de busca).

Com essas informações o mecanismo de busca é capaz de otimizar o ranking do seu site, com isso os sites de maior relevância tendem a ser melhor “rankeados“, ficando o mais próximo possível do topo.

Já na busca paga, você trabalhará, basicamente, com as já conhecidas plataformas de links patrocinados Google Adwords e yahoo! Search Marketing.

Nessas plataformas é possível investir em cima de termos e palavras-chave específicas. Cada vez que um usuário buscar um dos termos contratados pela sua empresa, seu anúncio será exibido e cada que vez que ele for clicado, será debitado um determinado valor de sua conta. Nesse tipo de atuação você definirá qual será o investimento diário disponível e poderá delimitar o valor máximo pago por cada click, além de determinar diferentes valores para diferentes palavras-chave.

O trabalho com SEO e SEM pode ser tão extenso, que já existem profissionais e empresas especializadas neste de tipo de serviço, o próprio Google oferece a certificação Google Advertising Professional, que é voltada para profissionais que desejam trabalhar diretamente com a estruturação de campanhas de SEM na plataforma do Adwords e possui validade internacional por 2 anos.

As vantagens de possuir uma estratégia de SEO predefinidas são inúmeras. Já ficou claro em diversas pesquisas que os usuários de sistemas de busca vão, no máximo, a segunda página de resultados, sendo que a grande maioria deles encontra o que procura já na primeira página. Ou seja, estar no topo, principalmente com termos simples, é uma enorme garantia de que o seu site receberá um bom fluxo de visitantes através dos mecanismos de busca.

Com relação ao SEM é fundamental ter de forma estruturada e clara quais são o objetivo da campanha, para que o ROI sempre seja positivo. Campanhas voltadas para captação de volume de acesso e campanhas para venda de um produto/serviço possuem dinâmicas totalmente distintas e, nesses casos, trabalhar de forma incorreta pode custar muito caro.

A internet para pequenas empresas: o relacionamento com os clientes

novembro 21, 2008 por Hugo Rosso

Ainda continuando o tema “A internet para pequenas empresas”, hoje vamos falar como construir campanhas de marketing direto e de relacionamento junto aos seus clientes.

“De nada vale uma promoção, se ninguém sabe que ela existe.”

Divulgue. Já está mais que provado e comprovodo que campanhas de marketing direto (no caso, e-Mails Marketing) dão retorno. Hoje são inúmeras as opções de serviços de envio e-Mail Marketing disponíveis, desde as mais simples (que são meros disparadores), até as mais complexas, que oferecem diferentes relatórios, além de permitir a integração com sistemas administrativos e integração com o próprio site para atualização da base de usuários de forma automatizada.

Utilize essas campanhas para informar lançamentos, promoções, descontos e para fortalecer a sua marca. Talvez o seu cliente passe meses sem comprar nada, mas no momento que houver o interesse ou a necessidade, lembrar que você existe pode fazer toda a diferença.

A utilização de ferramentas de envio com suporte a relatórios também faz com você tenha a possibilidade de criar campanhas segmentadas, pois você saberá quais foram os clientes que abriram seus últimos e-Mails e, principalmente, saberá em quais links da sua peça que eles clicaram. Com base nessas informações, você terá a possibilidade de criar diferentes peças de e-mail baseadas para cada perfil de seus clientes, com isso você economiza em envios e aumenta a conversão das campanhas (o que é o sonho de qualquer estrategista de marketing).

Cative. Campanhas de relacionamento fazem com que os clientes se lembrem do seu site. Crie sistemas de pontos, dê cupons de desconto no dia do aniversário de cada cliente ou para reativação de clientes, quando eles estão alguns meses sem comprar nada, se possível, forneça conteúdo baseado em temas do interesse dos clientes. Essas atitudes tem trazido bons retornos para as empresas.

A construção de um bom relacionamento não é baseado somente em presentes e agrados, um bom atendimento também é fundamental para o sucesso de sua empresa. Ter profissionais capacitados e bem treinados, solucionar problemas de forma eficaz e rápida, sempre sendo o mais correto e sensato possível faz com que a empresa seja vista com outros olhos pelos clientes (principalmente quando existem muitos concorrentes).

Isso é o básico do relacionamento com clientes, e conhecê-los é fundamental para todas as empresas (claro, não precisamos chegar ao ponto de Minority Report), mas isso já é tema para outro dia.

O óbvio ululante: Era bonito ser histérica

novembro 17, 2008 por Hugo Rosso

“Beijarei o punhal que matar Pinheiro Machado” — soluçou o orador. E, realmente, enfiou a mão no colete, ou cinto, e de lá arrancou, com ágil ferocidade, o punhal homicida. Logo, à vista de todos, beijou, chorando, o punhal. As lágrimas deslizavam pela face cava. E o orador, prolongando o efeito cênico, ainda ficou, por algum tempo, com o punhal erguido e profético. Um uivo unânime subiu das entranhas do silêncio. O comício veio abaixo. Sujeitos atiravam para o ar os chapéus de palha.

Mas resta de pé a pergunta: — Por que exatamente o punhal? Por que o ódio havia de ter a forma esguia e diáfana do punhal? 1915. Era o Brasil do fraque e do espartilho. Nas salas de visitas, havia sempre uma escarradeira de louça, com flores desenhadas em relevo. Eu tinha meus três anos e estava em Pernambuco. Três anos. Aos três anos, o sujeito começa a inventar o mundo. Minha família morava na praia. E eu começava a inventar o mundo. Primeiro, foi o mar. Não, não. Primeiro, inventei o caju selvagem e a pitanga brava.

Para os meus três anos, o mar, antes de ser paisagem, foi cheiro. Não era concha, nem espuma. Cheiro. Meu pai, antes de ser figura, gesto, bengala ou pura palavra, também foi cheiro. Ninguém tinha nome na minha primeira infância. A estrela-do-mar não se chamava estrela, nem o mar era mar. Só quando cheguei ao Rio, em 1916, é que tudo deixou de ser maravilhosamente anônimo.

Eis o que eu queria dizer — o primeiro nome que ouvi foi o de Pinheiro Machado. Alguém se chamava Pinheiro Machado. A princípio, ele não foi um destino, um perfil, um fraque, mas tão-somente um nome. Um nome solto no ar, quase um brinquedo auditivo. Eu não inventara ainda a morte, não inventara ainda o punhal, nem a palavra “defunto”.

Escrevi, não sei onde, que foi um suicida que me revelara a morte e me ensinara a morrer. Engano, engano. Foi Pinheiro Machado. Sim, Pinheiro Machado. E, súbito, eu aprendia que o homem morre e que o homem mata. Ainda hoje, e até nas minhas crônicas esportivas, falo muito, com uma constância obsessiva, no assassinato de Pinheiro Machado. Uns acham graça e ninguém entende a insistência cruel. Ah, eu teria de explicar que há, em qualquer infância, uma antologia de mortos; e, para o menino que fui, Pinheiro Machado é um desses mortos fundamentais.

Mas repito a pergunta: — Por que havia de ser o punhal? Pinheiro Machado podia ser assassinado a tiro, a bala. Pouco antes, um jornalista fora assassinado em Pernambuco. Chamava-se Trajano Chacon. Três ou quatro se juntaram e o mataram, a cano de chumbo. Não faca, punhal ou revólver. No caso de Pinheiro Machado, quero crer que o punhal convinha mais à retórica. Na época do soneto, era mais parnasiano. O orador podia tirar o punhal, beijá-lo, quase lambê-lo.

Muitos e muitos anos depois, me vejo subindo a escadaria da Biblioteca Nacional. Estou crispado como o criminoso que vai reler a notícia do próprio crime. Lá dentro, peço a coleção do Correio da Manhã de 1915. Dou o mês do assassinato. Não me lembro se é permitido fumar na sala de leitura; em caso afirmativo, tiro um cigarro e o acendo (guardo o palito na própria caixa). Enquanto não vem a coleção, começo a tecer uma pequena fantasia homicida. Não é mais o Manso de Paiva, mas eu que me escondo atrás de uma coluna. Entra Pinheiro Machado, de fraque. Os rapapés o envolvem: — “Senador! Senador!”. É agora. Corro e mato Pinheiro Machado. Sou assassino. Em seguida, imagino a experiência inversa, de vítima. A dor fulminante da punhalada. Não tenho tempo nem para o espanto, nem para o grito.

O funcionário trouxe a coleção. Começo a ficar tenso. Encontro a edição do crime. Primeiro, passo os olhos no dia, mês e ano (sou um fascinado pelas datas dos velhos jornais e dos velhos túmulos). A manchete rasga as suas oito colunas: — ASSASSINADO o GENERAL PINHEIRO MACHADO! Ao bater estas notas, sinto o abismo entre as duas manchetes: — a de Pinheiro Machado era um berro gráfico, um uivo impresso; a de Kennedy, estupidamente impessoal, crassamente informativa. Ah, as manchetes de hoje não se espantam, nem se desgrenham, nem reconhecem a catástrofe.

O Correio da Manhã conta tudo. Estou vendo Pinheiro Machado, de fraque, chegando ao Hotel dos Estrangeiros. Lá está o seu lindo perfil de moeda. Vinha falar com dois políticos de São Paulo. Era um voluptuoso, um lúbrico do Poder. Sua conquista política era um jogo amoroso. O olho ficava mais doce, lascivo, translúcido. Amorosamente, Pinheiro Machado abriu os braços, enlaçando os dois políticos. E assim, entre um e outro, caminha o general, muito olhado. Claro que todos se voltavam para ver o homem que, segundo os comícios e os jornais, era o autor de todos os presidentes.

Pouco antes, chegava da Europa Irineu Machado, um dos grandes tribunos da época. Era homem de falar dez horas sem parar (antigamente, tínhamos mais oradores do que hoje camelôs de caneta-tinteiro). E Irineu Machado disse, em comício: — “Matar Pinheiro Machado não é ser assassino. É ser caçador”. Ele não estava improvisando nada. A frase fora criada, recriada, até chegar à sua forma exata, inapelável e assassina.

Era apenas uma frase. Mas aí é que está: — nada se fazia então sem frase. Para tudo era preciso uma frase. Repito: — uma frase tanto fazia uma adúltera como um ministro. E aquilo que Irineu Machado berrara foi de uma prodigiosa eficácia homicida. Caçar Pinheiro Machado, simplesmente caçar. Manso de Paiva estava ouvindo. E se não fosse Manso de Paiva seria outro Manso de Paiva. Até as senhoras eram Mansos de Paiva. A punhalada amadurecia no coração do povo. Mas volto ao Hotel dos Estrangeiros. Passa o caudilho com os outros dois. Ouvia-se o seu riso cálido, vital. Uma dama olha Pinheiro por detrás do leque como uma Butterfly.

Tudo teve a progressão fulminante da catástrofe. Manso de Paiva sai da coluna; corre, tira o punhal e o enterra até o fim nas costas do caudilho, pouco abaixo da nuca. Pinheiro soluça: — “Mataste-me, canalha!”. Mas Osvaldo Paixão, contemporâneo do episódio, orador de vários comícios ferocíssimos, retifica. Segundo ele, as últimas palavras de Pinheiro foram estas: — “Apunhalaste-me, canalha!”. Quero crer que ele tenha dito apenas: “Canalha”. Mas cabe perguntar: — que canalha? Ou, por outra: o caudilho estava com dois paulistas. Morreu certo de que um deles era o “canalha”.

(Preciso falar de Guimarães Rosa.) Ah, em 1915, as mulheres tinham um repertório de gritos que as novas gerações não usam, nem conhecem, Era bonito “ser histérica”. Muitas simulavam seus ataques, como o dostoievskiano Smerdiakov. Mas, quando Pinheiro caiu, as damas presentes não fingiam nada. Elas se esganiçavam, e rolavam pelas cadeiras, ou sapateavam como espanholas. Naquela época, uma notícia levava meia hora para ir de uma esquina à outra esquina. Mas toda a cidade ou, mais do que isso, o Brasil soube do assassinato, com uma instantaneidade brutalíssima.

E ninguém percebeu que, com Pinheiro Machado, morria também o fraque.

Autor: Nelson Rodrigues
Jornal O Globo, 4/12/1967

A internet para pequenas empresas: começando um e-Commerce

novembro 14, 2008 por Hugo Rosso

Continuando o artigo da semana passada ( A internet para pequenas empresas), esta semana vamos falar sobre como um empresa pode iniciar a sua loja virtual.

    No Brasil o quadro é totalmente favorável às lojas virtuais. O acesso a internet aumentou, as pessoas estão perdendo o medo de comprar online e o risco de crise faz com que elas pesquisem preços e produtos na internet antes de ir para as lojas físicas.

    Dentre as diversas formas para iniciar um loja virtual, a mais simples e barata é atuar através do MercadoLivre, site representante do e-Bay no Brasil. Nele você poderá cadastrar seus produtos, pagando 1% do valor do produto para cada anúncio e 5% para cada venda realizada, além de custos adicionais para obter destaques na busca ou efeitos adicionais no anúncio. Nesse modelo, toda a negociação é realizada entre o vendedor e o comprador, o pagamento é realizado através de depósito bancário (também existe o MercadoPago, solução de pagamento que permite que o comprador tenha diferentes condições e formas de pagamento). Trabalhando com o MercadoLivre  temos como avaliar o desempenho de um determinado produto no mercado, buscar clientes, começar a lidar com SEO (Search Engine Optimization) e ainda, já criar um nome de mercado.

    Um exemplo de empresa que começou trabalhando exclusivamente com o MercadoLivre  e que hoje já dá os primeiros passos com sua loja virtual é o Mercado Notebook. Com a solidificação da marca no MercadoLivre, boas ofertas e bons rendimentos, a empresa apostou numa solução de e-Commerce oferecida por uma empresa de hospedagem para ampliar o seu negócio.

    Para empresas maiores, ou que já obtiveram uma trajetória de sucesso no MercadoLivre, mas que ainda não possuem o porte ideal para desenvolver uma loja virtual sob demanda, uma excelente opção são as soluções de e-Commerce oferecidas por algumas empresas de hospedagem. Com custos mensais à partir de R$ 100,00 é possível contratar um destes serviços e ter sua loja virtual. Neste modelo é possível personalizar o layout com as cores e logos da empresa, configurar textos, disponibilizar diferentes condições e formas de pagamento, além de permitir integração do site com o sistema ERP e CRM  da sua empresa (nesses casos, se faz necessário o suporte de um programador, para realizar as devidas configurações e desenvolvimentos).

    A grande vantagem de locar uma solução de e-Commerce está na personalização da loja, deixando a sua empresa ainda mais próxima de seus clientes, além de deixar de lado a visão de muitos clientes que consideram que trabalhar no MercadoLivre  é algo informal ou inseguro.

    O próximo passo é, de fato, o complexo de todos. É o desenvolvimento de sua própria solução de e-Commerce, situação que recomendo somente para empresas médias e grandes, portanto deixaremos este tópico para outro dia.

    Independente do estágio que sua empresa estiver, é sempre importante desenvolver campanhas que atraiam novos clientes e que fidelizem o atuais.

    Campanhas de frete grátis, desconto para pagamentos à vista e parcelamento das vendas são práticas comuns no mercado que geram bons resultados e tem forte impacto em campanhas de marketing direto.

    Gostaria de falar de campanhas de marketing direto ainda neste texto, porém ele já está longo o bastante para uma leitura num computador. Na próxima semana continuarei o mesmo tema, mas me atendo às campanhas de marketing direto e relacionamento.

A internet para pequenas empresas

novembro 6, 2008 por Hugo Rosso

Para muitas pequenas empresas, atuar na internet é algo quase que utópico. Não as recrimino, nos acostumamos tanto a falar de grandes projetos (“Você viu a nova loja virtual do xpto?” ou “Nossa! Você conhece o site xyz?”), que, por vezes, deixamos de lado as pequenas empresas, aquelas que estão chegando agora ao mercado e que pouco sabem o “como” e o “porque” de possuir um website e além disso, menos ainda sabem como medir os resultados de sua atuação na web.

E é justamente sobre isso que falaremos pelas próximas semanas, sobre como montar uma atuação na web para uma pequena empresa, as diferentes formas e modelos de atuação, a otimização do site e a, tão importante, mensuração dos resultados.

Abaixo, podemos conferir as diferentes formas de atuação na web e exemplos de sites e empresas que trabalham nestes formatos:

1. Prestação de Serviços

É a atuação onde a empresa fornece serviços, como webmail, fórum, sistema de blog, entre outros.

Nesta atuação, existem duas maneiras de garantir o ROI (Retorno do Investimento): vendendo publicidade ou cobrando pela utilização dos serviços.

Ex: Microsoft, Yahoo!, Google, E-Bay, Mercado Livre, Konvênios.

2. Geração de Conteúdo

Na geração de conteúdo, a empresa trabalha com equipes, internas ou externas, que produzem material de interesse à um determinado segmento, indo de notícias à artigos especializados.

Assim como na prestação de serviços, o ROI vem através da venda de publicidade ou pela cobrança do acesso ao conteúdo.

Ex: CNET, IGN, UOL e Editora Abril.

3. Marketing de Produtos e Serviços

Atuar na web com o propósito de marketing é a opção escolhida por empresas que possuem produtos ou serviços não-digitais.

O ROI tem que ser medido externamente, verificando-se o aumento das vendas e do interesse do consumidor.

Ex: Coca-Cola, Tecnisa, Montadoras de Veículos (FIAT, GM).

4. E-Commerce

O E-Commerce possibilita a venda direta de produtos ou serviços não-digitais. Aparece na forma das lojas virtuais.

O ROI deve ser medido de acordo com o número de vendas.

Ex: Amazon, Americanas, Submarino.

5. E-Business

O E-Business é semelhante ao E-Commerce, diferenciando-se pelo fato do consumidor final ser substituído por uma instituição. Também, a forma de loja virtual é diferenciada pelas transações, que passam a ser indiretas, geralmente mediante orçamentos ou licitações.

Ex: Dell, IBM.

Com base nestas informações, com o perfil de seus clientes e os objetivos da atuação, é definido o modelo de negócio à ser aplicado.

Na próxima semana, vamos falar da aplicação de um site de vendas (e-Commerce), dando sugestões de como começar o negócio online e de como atrelar o site à campanhas de marketing direto e fidelização dos clientes.

Redes sociais: a web que conecta pessoas

outubro 29, 2008 por Hugo Rosso

Se, nos últimos anos, existiu algo que cresceu de forma vertiginosa na web, com toda a certeza, as redes sociais fazem parte disso. Elas revolucionaram a utilização da internet e talvez sejam mais fortes que os próprios instant messengers [conheço pessoas que nunca utilizaram MSN, gTalk, ou ICQ, mas que não abrem mão de seu profile no Orkut].

Seja para lazer, trabalho, paquera, ou um simples elo entre amigos e/ou desconhecidos, as redes sociais se tornaram peça fundamental no dia a dia de diversas pessoas e empresas. Já não é mais possível desenvolver campanhas de marketing para determinados públicos sem levar em consideração a força das redes. Cada vez mais fortes, além de ponto de encontro, elas também se tornaram abrigo para críticas, elogios, sugestões e debates sobre personalidades, empresas e produtos. Se o mundo está conectado, a sua empresa, querendo ou não, também está.

E como combater as críticas [muitas vezes sensatas, outras nem tanto] num ambiente tão hostil? A resposta é simples: não combata. Não adianta, lutar contra as redes sociais é começar uma batalha já perdida.

Ao invés de olhá-la como inimiga, tente enxergá-la como aliada, use o espaço ali aberto para responder as dúvidas e reclamações de seus clientes, exponha seus serviços/produtos de forma sutil, transforme a rede social num canal de relacionamento entre você e seus clientes [hoje, 20% dos casamentos nos EUA são entre pessoas que se conheceram através de redes sociais, se uma rede social é capaz de unir pessoas, imagine o que ela pode fazer pela sua empresa].

Para desenvolver um bom trabalho junto as redes, faça a análise do seu público-alvo, veja o que ele busca e como interage nas redes [já está claro que as pessoas possuem diferentes posturas em relação a determinados meios, então saber como seu público age numa rede social pode ser fundamental para o sucesso de sua atuação]. Abra canais/comunidades [e se possível os divulgue em seu site], peça sugestões, deixe seus clientes falarem [e os ouça!] e quando surgir a primeira crítica, a responda da melhor forma possível, depois de um certo tempo, você perceberá que antes mesmo de responder a crítica, outros clientes já partiram em sua defesa.

E como lidar com as redes sociais no ambiente de trabalho? Será que elas auxiliam os seus funcionários ou será que prejudicam seu desempenho, promovendo a dispersão? Será melhor bloqueá-las ou deixá-las com acesso livre?

Segundo estudo realizado pelo Demos.co.uk, o acesso deve ser livre e incentivado, pois o cultivo de relacionamentos com colegas e clientes trazem conseqüências positivas, como aumento de produtividade, estímulo a inovação e trabalho democrático.

As redes sociais vieram para ficar, portanto é fundamental enxergá-las e respeitá-las, para assim caminharmos lado a lado com nossos clientes, sempre atendendo as demandas necessárias.

Eleições 2008 – Gafes

outubro 25, 2008 por Ananda Morelli

Apartidarismo é sempre bom, principalmente no tocante às gafes. Afinal, notória é a capacidade que nós brasileiros possuímos para rirmos perante a nossa própria desgraça. Com vocês, um despretencioso vídeo do debate do 2º turno entre os candidatos Marta Suplicy (PT) e Geraldo Gilberto Kassab (DEM) exibido originalmente pela Record.